segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SPORTING OU A AUSÊNCIA DE PROJECTO NO FUTEBOL

Terminado o período de transferências e decorridas 3 jornadas do campeonato nas quais o Sporting se encontra em 12º lugar com possibilidade de descer para 13º (caso o Leiria ganhe ao Porto), pode dizer-se desde já que não há possibilidade do Clube ser candidato ao titulo. Os 2 pontos em 9 possíveis contra adversários nitidamente inferiores e com 2 jogos em Alvalade já seriam suficientemente esclarecedores mas como se tal não bastasse eis que a estrutura que gere o futebol do Sporting agiu, nos últimos dias de "mercado", de forma a passar inexoravelmente e para dentro do grupo a mensagem de "desistência" da corrida, senão vejamos:
 
1.   O avançado mais utilizado em todos os jogos oficiais (Postiga), titular da seleção nacional que se encaminha para o euro 2012 é oferecido ao Saragoça por 1M€;
2.   Um dos alas mais utilizados em todos os jogos oficiais (Djalo) é transferido para o Nice por 4,5M€;
3.   Contrata-se por quase 9M€ e para uma posição que já fora fortalecida neste defeso, um jogador que fez 15 jogos no campeonato pelo Atl. Madrid, entre Janeiro de 2011 e o fim da época, nunca sendo totalista (foi sempre substituído quando foi titular ou entrou a substituir). Longe de se valorizar neste período, Elias, que custara 7M€ em Janeiro de 2011, foi dispensado pelo actual treinador por excesso de estrangeiros. Mas dispensado com valorização financeira, conforme se verifica.
   
Em abstracto, a transferência de Djalo afigura-se um bom negócio mas a de Postiga, vista de fora, é incompreensivel no condicionalismo da eminência da sua participação no euro 2012 e, sobretudo, pelo valor ridiculo da alienação do passe. Mas, mais grave são as mensagens que transmitem para o grupo: "o campeonato acabou, vendam-se activos ao desbarato" e "se os que jogavam só entram em clubes de fim de tabela de França e Espanha o valor dos que ficam é...".  Estas transferências em nada enobrecem o Sporting pois para lá do "pormaior" do enfraquecimento real do grupo de trabalho que já enfrenta adversidades de monta em função dos resultados até agora alcançados, o clube assume-se como um fornecedor de clubes de fim de tabela de outros campeonatos e, pelas declarações de Postiga, deixa latente a existência de mau ambiente interno.

Em termos internos, conforme referi acima, o balneário fica mais fraco pois saem dois portugueses (o plantel já só tem 6: Patricio, Tiago, J. Pereira, André Santos, André Martins e Pereirinha) que vinham do ano passado e integravam indiscutivelmente o núcleo duro do plantel se atendermos ao cv dos que cá estavam, dos que chegaram e dos jogos efectuados os quais o Sporting aliena, por 5M€ (no total do valor que entra em Alvalade).

Mais, se a saída de Djalo é compreensivel face aos extremos existentes no plantel, enfraquece-se claramente a posição de avançado centro deixando a árdua tarefa (para este grupo é, de facto, uma árdua tarefa) de marcar golos a Ricky van Wolfwinkel, a Rubio e a Bojinov (não sendo este um avançado centro). Ora, comparando com os outros candidatos ao titulo e mesmo com o Braga e o Guimarães, o Sporting não sai em vantagem neste capitulo.

Ora, havendo disponibilidade financeira para efectuar contratações (conforme se comprova pelos 9M€ investidos) e tendo como posições claramente fragilizadas as de defesa central e de avançado centro, o que levou a SAD a contratar, com a aprovação do treinador, um médio box-to-box, canibalizando assim as contratações/regressos de Schaars, Rinaudo, Aguiar e André Martins ou activos que interessa valorizar como são André Santos (com aspirações a integrar o grupo que provavelmente chegará à fase final do Europeu 2012) e Matias (que se afigura cada vez mais como uma aposta falhada)?

É aqui que resulta à evidência a existência de ausência/deficiência/desarticulação no desenvolvimento do projecto(???) para o futebol do Sporting 2011/2012. É que ninguém precisa apontar o que seja à gestão da SAD, basta observar os factos:
  • contratação de jogadores lesionados ou em processo de recuperação de lesões graves e com claros défices de competição ou;
  • que não correspondem ao plano de jogo definido ou;
  • que são pseudoapostas de futuro mas de utilização imediata em momentos de aflição, (vide o caso de Rubio contra o Olhanense) completamente ao arrepio de um processo de integração gradual e sem pressão;
  • culminando com a contratação de 15 (!!!) jogadores, todos estrangeiros, alguns dos quais (como o exemplo Elias supra explicado) vêm sobrepor-se a outras supostas grandes contratações, tapando ainda activos que qualquer projecto minimamente estruturado procuraria rentabilizar, dando desde logo tempo aos Homens de se adaptarem ao país, clima, hábitos sociais, métodos diversos, etc.;
E que se prescinde de jogadores da formação:
  • Como Nuno Reis, defesa central, a titulo de exemplo, que não tem valor para integrar o plantel do Sporting mas integrou "só" a equipa ideal do Mundial sub-20 realizado na Colombia, tendo o Sporting contratado um jogador (Arias) que integrava uma selecção que participou nesta competição e... integra o plantel (sim, como lateral direito, com João Pereira e Pereirinha como concorrentes e tendo João Gonçalves e... Cedric cedidos);
  • O recém transferido Mateus Fonseca (médio ofensivo que, obviamente, não vislumbra lugar no plantel principal atenta a inflação de médios contratados), junior, para o Cluj;
  • Pedro Mendes, outro defesa central, emprestado ao Castilla, filial do Real Madrid;
  • Diogo Rosado, médio ofensivo, para o Feirense;
  • Wilson Eduardo, ala, emprestado ao Olhanense.

Ora, concluindo, o actual projecto da SAD demonstra que:
  • não valoriza a Academia (provavelmente uma das poucas vantagens competitivas que o Sporting ainda detém relativamente aos rivais e mesmo com notoriedade externa) com a inerente mensagem para os jovens que lá andam ou aspira(va)m a um dia lá entrar;
  • não se coibe de contratar vários jogadores para as mesmas posições tapando por completo a ascensão dos jovens da formação (clara falta de integração/comunicação entre o futebol profissional e a formação) e duplicando o investimento para as mesmas posições.

Finalmente, estas movimentações de mercado têm intervenientes que já são conhecidos de outros tempos em Alvalade, sempre com pobres resultados para o Sporting: Atlético de Madrid, Saragoça e... Jorge Mendes. Reitera-se, esta opção de contratar um médio centro dispensado e desvalorizado pelo Atlético de Madrid, extracomunitário, por 9M€ quando há inflação de jogadores para esta posição, com alguns em fase de adaptação e outros lesionados, quando o plantel tem carências nitidas na zona central da defesa (já está estafada a constatação da defesa deste ano ser a do ano passado e se houver entradas, não há garantia de melhoria de rendimento) e na frente de ataque onde, desde a saída de Liedson, não há um jogador que garanta 15 golos por época (o que piorou com a saída de Postiga, gostando-se ou não dele), com a anuência do treinador (explicita ou implicitamente ainda não se pronunciou no sentido de contrariar estas movimentações e também não apresentou a demissão por actos lesivos para com o grupo com o qual vinha trabalhando) é elucidativa relativamente à ausência de planificação. Já nem me refiro à definição de linhas de actuação a curto prazo ou (miragem) da elaboração de um Programa que integre, numa perspectiva de Projectos de médio/longo prazo, um biotipo do atleta que se pretende ao serviço da equipa de futebol, sua evolução no espaço da equipa, valorização e avaliação de desempenho! Fico-me apenas por uma análise à coerência do que se faz, a qual manifestamente não se vislumbra.

Para o ano é que é? Haverá Sporting para o ano? Até quando resistirá o Clube a tão explicita e duradoura manifestação de incapacidade de gestão desportiva? Já lá vão mais de 10 anos sem liderança, sem politica desportiva delineada, sem visão do ESPAÇO de DIREITO do SPORTING CLUBE de PORTUGAL no DESPORTO (mas essencialmente no FUTEBOL) em PORTUGAL, na EUROPA e no MUNDO. 

Luís Rasquete 
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O SPORTING E A ARBITRAGEM

Na passada sexta fui ver a conferência de imprensa do Eng. Godinho Lopes.

A ideia era divulgar um documento feito por um escritório de advogados, o qual pretendia contribuir para melhorar a arbitragem.

Depois, nas respostas aos jornalistas, Godinho Lopes teceu algumas críticas ao óbvio (Carlos Xistra), falou em “erro sistemático” no lugar do “sistema” do Dr. Dias da Cunha. E atribuiu os erros a ”incompetência” e falta de preparação, recusando admitir a premeditação. Mais, quando questionado sobre João Ferreira, não o criticou, deu mesmo um quase voto de confiança, dizendo que não o podia criticar antes do jogo.

Foi com espanto que ouvi as notícias da recusa de João Ferreira. Não é a primeira vez que acontece, mas as duas que aconteceram foram sempre ao Sporting. O Porto e o Benfica não criticam a arbitragem?

Da última vez, foi Paulo Costa. Na altura dei-me ao trabalho de ler os regulamentos e a punição para o árbitro era de alguns jogos. Não só não foi punido como foi premiado, no final da época foi promovido a internacional.

Se uma equipa faltar ao jogo é punida. Falta de comparência e multa. E se os árbitros faltarem? Tem de haver punição!

E querem os senhores a profissionalização? Se um profissional disser ao seu chefe que se recusa cumprir uma tarefa que lhe foi ordenada está a desobedecer, o que configura justa causa de despedimento.

Ou fazendo um paralelismo com a tauromaquia, e um matador de touros se recusar a lidar um touro de uma certa ganadaria (admitindo que algo tenha ocorrido no passado com essa ganadaria), será que alguém o volta a contratar?

Dito isto, João Ferreira devia ser punido “exemplarmente” como tanto gosta o Sr. Vítor Pereira. Se ainda houver uma réstia de vergonha nunca mais arbitrará pelo menos os jogos do Sporting. Do mal o menos, a célebre mão de Ronny custou “apenas” um campeonato ao Sporting…

Uma palavra final para uma Liga que se quer profissional e não é capaz de ter um árbitro de 1ª categoria num jogo oficial. Pela 2ª vez em 12 anos. E passa pela vergonha de um árbitro de 3ª categoria arbitrar melhor do que muitos da dita 1ª. Como é possível?

RM

terça-feira, 21 de junho de 2011

STIJN SCHAARS E RICKY VAN WOLFSWINKEL VS RODRIGUEZ, CARRILLO E ARIAS

Stijn Schaars e Ricky Van Wolfswinkel vs Rodriguez, Carrillo e Arias

Factos: 
Nome: Stefanus Johannes "Stijn" Schaars;
Clube: AZ Alkmaar (Holanda);
Idade: 27 anos;
Altura: 1,77;
Peso 70 Kg;

Jogos em 2010/2011:

Liga Holandesa:
·        29 jogos;
·        29 vezes titular e 28 totalista;
·        1 vez substituído;
·        1 golos/ 6 assistências;

Liga Europa (incluindo fase de qualificação):
·        8 jogos;
·        8 vezes titular e totalista;

Internacional "A" holandês por 15 vezes.

Na sequência do já referido relativamente a Ricky van Wolfwinkel, radicando a formação deste jogador na Holanda, estamos perante um selo inequívoco de qualidade. 

Valor de mercado: +/- 5 milhões €;
  
Análise:
  
Previamente a qualquer consideração acerca do valor do jogador importa salientar o seguinte:

  • Uma vez mais a contratação não foi noticiada/fotonovelada antes de concretizada;
  • Adquiriu-se a totalidade do passe do jogador;
  • Trata-se do 2º jogador europeu contratado pela Direcção de Godinho Lopes.

Para quem não saiba, pelo pedigree, trata-se de um dos 5 melhores jogadores a pisar palcos portugueses em 2011-2012 mas, mais que isso, se não for afectado por lesões, Stijn Schaars demonstrará claramente o que é um verdadeiro jogador de alta competição, pela regularidade e elevado rendimento.

Mas Stijn Schaars representa ainda mais, pela postura fora de campo, pelo exemplo que é em termos de profissionalismo e de devoção à camisola que enverga. Será também um exemplo para os jovens da Formação dentro e fora do relvado, tal qual foi Stan Valckx quando chegou a Portugal  pela mão do saudoso Bobby Robson, na altura com 30 anos e apelidado de "ex-internacional holandês suplente no PSV". Carácter, liderança, espírito de sacrifico, competência, competitividade e capacidade de enfrentar os desafios com um sorriso nos lábios, o sorriso de quem acredita no trabalho diário, confia que é honesto todos os dias, todos os treinos, para com o clube que lhe paga, para com a equipa técnica, para com os colegas, para consigo próprio.

Com um plantel formado de jogadores à imagem de Stijn Schaars o Sporting seria o candidato n.º 1 a vencer o campeonato, todos terão oportunidade de perceber porquê.

Enquanto jogador é um box-to-box esquerdino que também pode ser médio defensivo. Inteligente, evita o drible ou o adorno fúteis e prefere o passe seguro e rápido e movimentação constante, com grande pulmão e excelente capacidade de choque. Tem uma leitura de jogo impar e por isso durante o jogo consegue liderar e encontrar soluções para a equipas. Tem um pontapé forte e é um exímio batedor de bolas paradas. A todos os que vão ter o prazer de o ver jogar, só me resta assegurar que fará jus ao preço de cada bilhete pago.

Conforme referi nos pontos prévios Schaars, à semelhança de Wolfswinger, chegou a Portugal no mais completo anonimato. Ora, tomando como pressuposto lógico que a actuação dos dirigentes do Sporting se mantém uniforme no que há preservação do sigilo negocial diz respeito, questiono o porquê dos negócios feitos com jogadores oriundos da América do Sul serem amplamente noticiados e conhecidos do público ainda antes da chegada dos atletas ou da formalização dos negócios? Os casos de Rodriguez, Carrillo, do futuro ex-jogador do Sporting Moreno, de Arias (que hoje aterrou em Lisboa), e de Rinaudo (a confirmar), são demonstração evidente que as opções a tomar no sentido de salvaguardar uma postura negocial sigilosa, sem fugas de informação ou dissuasoras da inflação de última hora do valor de passes ou vencimentos dos atletas pretendidos nos conduz indubitavelmente a inverter este ciclo de contratações com os mercados sul-americanos, em benefício do mercado europeu e de outros nos quais o sigilo e a confidencialidade não sejam palavras vãs.

Não obstante esta evidência o Sporting prepara-se para anunciar a contratação de :

Nome: Santiago Arias;
Clube: sem clube após rescisão com o La Equidad (Colômbia);
Idade: 19 anos;
Altura: 1,76;
Peso 68 Kg;

Jogos em 2010/2011:
·        6 jogos;
·        4 vezes titular e 3 totalista;
·        1 vez substituído, 2 vezes suplente utilizado;

Internacional sub-20 colombiano, com perspectiva de ser titular no próximo Mundial sub-20 que se realizará precisamente na Colômbia.
  
Valor de mercado: +/- 500 mil €;

O futebol colombiano, estando competitivamente atrás do Brasil, Argentina e Uruguai, não deixa de ser dos mais assíduos (logo a seguir aos ora referidos)  em presenças nos campeonatos do Mundo de selecções.

Não obstante, trata-se de um país que nunca produziu grandes talentos em termos de rendimento na Europa, sendo os expoentes máximos Faustino Asprilla e Carlos Valderrama. Em ambos os casos falamos de jogadores de rendimento intermitente, com variadíssimos problemas ao nível pessoal, desde logo face à diferença de culturas entre o país de origem e os países onde jogaram (ainda que aqui se incluam países latinos como Itália e Espanha).

Mas há casos de sucesso entre futebolistas colombianos na Europa, sendo disso exemplo Guarin, Falcão e James Rodriguez. Mas todos com uma característica comum: saíram da Colômbia para a Argentina ainda juniores, ou mesmo antes, isto é, em claro processo de formação. Ainda assim, Guarin, depois de passar da Argentina (Boca Juniors)  para França (onde não se impôs no Saint-Étienne) apenas na 2ª temporada no FC Porto começou a apresentar um rendimento justificativo do investimento feito (que foi, por sinal, baixo: cerca de 1 M €).

Ora, Santiago Arias só agora se prepara para sair da Colômbia e viver a 1ª aventura europeia, com todas as cambiantes de adaptação que tal implica em termos de rendimento, para lá do facto de ser um jovem com 19 anos. E o Sporting não propicia a estabilidade de crescimento competitivo a um jovem que propicia, por exemplo, o Porto porque não há uma estrutura base constituída que integre e permita potenciar jovens, sejam da formação, sejam contratados.

Acresce que vem para uma posição onde o Sporting já dispõe de soluções seja como lateral direito ( João Pereira e, até ver, João Gonçalves), seja como médio defensivo (até ver Pedro Mendes, Zapater, André Santos, Rinaudo(???), Maniche). Mas, sobretudo, traz uma mensagem clara para Cedric e outros jogadores da formação: o Sporting tem internacionais nas camadas jovens nestas posições (Cedric vai ao Mundial sub-20) e ainda assim recorre a um mercado internacional secundário para lhes fazer concorrência. Tal já foi observado na contratação de Castillo. Esta postura contraria claramente a pretensa propensão ao aproveitamento da Formação, a rentabilização do trabalho feito na Academia com a agravante de diminuir os índices de competitividade dos jogadores formados em Alvalade porque não têm que concorrer com "produtos" de escolas mais evoluídas, antes pelo contrário.

Santiago Arias é, pelo que vi, um jogador regular, não muito forte a defender pois sobe muitas vezes no flanco e não é célere a recuperar, não é muito rápido e apesar de ter boa propensão ofensiva nunca se constituiu, no recente torneio de Toulon (que a Colômbia venceu) como uma opção privilegiada de saída para o ataque para os seus companheiros. Não tem um jogo aéreo forte devido à estatura média (1,76). Trata-se, em suma, de um jogador que dificilmente se constituirá como uma mais-valia para a época 2011-2012, falando-se inclusive na possibilidade do seu empréstimo. É um negócio de oportunidade porque, alegadamente, vem a custo "0". Aguarde-se o comunicado à CMVM. Mas não deixa, para já, de expressar o reviver de um certo período recente do Sporting sob a égide de Carlos Freitas: um clube que se aproveitou das dificuldades económicas de outros para resgatar jogadores em conflito a baixo (??) custo, vide casos de Rogério, Liedson e Tinga. A fama que o Sporting granjeou na altura no Brasil não enobreceu o nome do Clube por aquelas paragens. E os resultados, com excepção de Liedson, não foram significativos. Na Colômbia, a história repete-se com dirigentes e treinador do La Equidad a criticarem directamente os representantes do jogador e indirectamente o Sporting por se ter "aproveitado" da situação. Mesmo que se tratasse de um predestinado, os fins não justificam os meios, a meu ver. E, como se vê nos exemplos holandeses, é tão fácil ser competente e fazer-se respeitar.

Luís Rasquete   

 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

RICKY VAN WOFLSWINKEL, A MUDANÇA DO RUMO?

Factos:

Nome: Ricky Van Woflswinkel;
Clube: FC Utrecht (Holanda);
Idade: 22 anos;
Altura: 1,85;
Peso 69Kg;

Jogos em 2010/2011:

Liga Holandesa:
·        29 jogos;
·        26 vezes titular e 19 totalista;
·        7 vezes substituído e 3 vezes suplente utilizado;
·        15 golos/ 3 assistências;

Liga Europa (incluindo fase de qualificação):
·        12 jogos;
·        12 vezes titular e 9 totalista;
·        3 vezes substituído;
·        8 golos/0 assistências.

Internacional "A" holandês, tendo feito também todas as categorias de formação nas selecções, com 7 golos em 19 jogos, a partir dos sub-19.
  
A Holanda é indubitavelmente uma das mais fortes escolas de formação táctica da Europa (a escola do Ajax é indirectamente "mãe" do modelo de jogo do Barcelona), com jogadores de grande expressão mundial espalhados pelas melhores equipas da Europa. É a 1ª linha da Europa em termos de formação. As selecções da Holanda são, em todos os escalões, garantia de qualidade, competitividade e espectáculo.

Valor de mercado: +/- 3,5 milhões €;

Comunicado à CMVM:  

Análise:
  
Previamente a qualquer consideração acerca do valor do jogador importa salientar o seguinte:

·  A contratação não foi noticiada/fotonovelada antes de   concretizada;
·  Adquiriu-se a totalidade do passe do jogador;
·  Trata-se do 1º jogador europeu contratado pela Direcção de Godinho Lopes.

Ricky Van Wolfswinkel afirmou, na apresentação, ser uma honra representar um grande clube como o Sporting, estar orgulhoso pelo interesse do Sporting e desejar ganhar títulos em Alvalade.
  
Atenção, estamos a falar de um jogador que é recém-internacional "A" holandês e que vê no Sporting uma porta para ascender na carreira, para progredir em termos de competências competitivas, para enriquecer o palmarés pessoal.

Este facto não se pode dissociar da vinda de Marco Van Basten a Portugal no recente período eleitoral do clube e o bom impacto que tal vinda teve no meio futebolístico holandês. Afinal, Portugal pode ser uma saída profissional interessante para profissionais holandeses, ambiciosos e com curriculum.

Passando à descrição do jogador, refira-se que não vale, para já, os 5,4 M€ pagos 100% pelo passe mas, ao contrário de Carrillo, concordo com o valor pago dado que: 

1. É europeu, está familiarizado com o futebol, o clima, o ritmo de jogo e o modelo competitivo;
2. Vem da 1ª linha do futebol de formação europeu, com rótulo de qualidade em termos tácticos, desde logo porque fez todos os escalões de formação nas selecções, tem pedigree, está às portas de uma selecção que joga habitualmente as grandes competições;
3. Não vai sentir significativamente a diferença de ritmo entre a Liga Holandesa e a Liga Portuguesa, jogando já há mais de 4 anos ao mais alto nível no seu país, com mais de 90 jogos disputados e 30 golos marcados, numa média de 1 golo a cada 3 jogos mas com o acréscimo de ter marcado metade dos golos na última época, isto é, em cerca de 30 jogos marcou 15 golos, o que indicia progressão competitiva clara, baixando o ratio para 1 golo em cada 2 jogos;
4. Perante estes números, pode dizer-se que sendo os 5,4 M€ um valor avultado (pode-se mesmo dizer que por esse valor se poderia atacar outros nomes mais conhecidos, mas isso é outra conversa...) eles indiciam uma política de investimento num valor emergente de um mercado sólido  (conhecido pela maioria dos clubes do topo da cadeia alimentar da Europa)  o qual, sendo rentabilizado (isto é, marcando cerca de 20 golos numa época em Portugal) terá um retorno garantido em termos de mercado, senão nos 22 M€ da cláusula de rescisão, pelo menos num valor que compense, sem grande esforço, o investimento feito (massa salarial incluída a qual sendo não poucas vezes subestimada acaba por representar a maior fatia do encargo de uma contratação);
5. Deste ponto de vista concordo totalmente com a contratação do atleta porque alia mais valia em termos competitivos (pela origem), porque não vai certamente exorbitar o tecto salarial previsto (é jovem, está a emergir) e também porque vem fortalecer uma posição na qual o plantel apresenta claras carências, o que em meu entender não invalida a necessária contratação de um jogador mais experiente porque não se pode fazer recair sobre as costas de um jovem de 22 anos na primeira aventura fora do seu país a responsabilidade de comandar, sem oscilações de ritmo, o ataque de um clube que pretende lutar por títulos como a Liga Portuguesa;
6. Não se pode deixar de observar que valores como Baldé deverão continuar a merecer acompanhamento, se possível no mercado nacional e que a contratação do avançado holandês significa presumivelmente o fim da linha para Saleiro no plantel, a que titulo (definitivo ou por empréstimo) em breve se saberá. Mas Saleiro não se poderá queixar de falta de oportunidades e se vingar noutras paragens tal deverá ser sempre motivo de regozijo para a Formação do Sporting, quem sabe até perspectivando um eventual regresso;
7. Mas o que representa a contratação de Ricky Van Wolfswinkel? Representa a necessidade de jogar com extremos, indubitavelmente! O avançado holandês movimenta-se sobretudo dentro da área, jogando a poucos toques, finalizando com ambos os pés, não tendo um rendimento tão elevado no jogo aéreo (o que deverá ser trabalhado) ao que se junta fraca capacidade de choque. Este afigura-se como o grande calcanhar de Aquiles do jovem holandês porque 70 kgs para um corpo com 1,85 m é manifestamente insuficiente para um futebol que se faz em campos difíceis no Inverno (ainda que curto mas é no período de fins de Outubro a Março que se decide o campeonato) e com defesas duros. A mobilidade e poder de antecipação são pontos fortes mas insuficientes para a constância que se pretende quando a equipa tiver que encostar, desgastar fisicamente as equipas adversárias, em suma, ganhar também o jogo no confronto físico, voltando-se aqui à questão da baixa estatura e peso do plantel do Sporting;
8. A forma de jogar leve, a fugir ao choque (a fazer lembrar jogadores como Domingos Paciência, Paulinho Cascavel ou Rui Águas), não me enche as medidas, confesso, mas tal não inibe o mérito da opção por este tipo de jogador pelo que acima escrevi, desde que se lhe dê condições para vingar;
9. Sendo mais objectivo, se houver coerência na construção do plantel tendo por base um sistema de jogo mais europeizado que privilegie as características dos jogadores contratados e sendo estes igualmente europeus ou de matriz futebolística mais adaptada ao futebol europeu, a margem de erro diminui e aumenta a possibilidade de obter sucesso, ganhar competições, rentabilizar activos, atrair investidores para fundos, etc.;
10. Neste contexto, os próximos capítulos em termos de contratações virão ou não confirmar esta mudança de rumo, no sentido de europeizar o futebol do Sporting, dar-lhe outra cultura táctica, competitiva, construir condições para o sucesso desportivo com base num projecto e não em tiros no escuro, oportunisticos, dependentes de outros interesses que não forçosamente os do Sporting;
11. Para já, Ricky Van Wolfswinger, pelo pedigree, pela origem, é uma brisa de esperança.

Luís Rasquete
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A FINAL DA LIGA EUROPA E O SPORTING

A propósito da final de ontem, falhei o prognóstico porque pensei q o Porto ia dar uma "tareia" no Braga. Não deu por uma razão simples que o José Peseiro focou no comentário que fez para a Sporttv: não soube conservar e cimentar o ascendente emocional que tinha no inicio do jogo por opção do André Villas Boas na gestão emocional do jogo. Preferiu ser conservador e esperar o erro do Braga que aconteceu por mais de uma vez, normalmente com o Rodriguez no centro dos acontecimentos, a ser dominador, empolgar a plateia e, correndo mais riscos, oferecer outro espectáculo que está ao alcance deste Porto e para o qual este Braga não teria claramente soluções. A opção foi a primeira e o momento do golo em que o Braga está a sair com a bola controlada, sem pressão e o Rodriguez faz um passe que apanha a equipa em contrapé é um erro de palmatória inadmissível a este nível. Pessoalmente nunca o achei jogador para um grande  e ontem ficou à evidência a razão pela qual o Porto não o contrata (é baixo para central, tem demasiadas saídas da equipa, normalmente por lesão, não é extraordinariamente rápido e a saída com a bola nos pés, especialmente se a jogar do lado esquerdo, é bastante má. Resta a boa leitura de jogo e timing de intercepção o que não chega para jogar no Sporting)! E o facto de vir de uma lesão não é atenuante, antes pelo contrário pois se não se sentisse confiante, deveria ter-se resguardado nestes momentos de saída, dando assim demonstração de maturidade competitiva, de liderança perante os colegas. Não o fez por mais de uma vez e o resultado foi a decisão do jogo a favor do Porto.

Mas o que mais releva desta final é um "pormenor" curioso relativo aos portugueses que jogaram:

Porto: Rolando, Moutinho, Varela;

Braga: Miguel Garcia, Sílvio, Custódio, Hugo Viana;

Estamos a falar de 7 jogadores, dos quais 5 foram feitos em Alvalade (sendo que o Custódio apenas fez em Alvalade a fase final da sua formação, proveniente do Vitória de Guimarães, já com 19 anos). E não estou  a contar com o Beto que estava no banco do Porto.

Ora, independentemente de podermos considerar que alguns deles não terão valor para o "11" duma equipa que deseja ser campeã, parece-me indiscutível que todos terão valor para integrar o plantel de qualquer candidato ao título em Portugal e, mais que isso, são a prova clara que a aposta na formação é viável, profícua em termos de produção de resultados desportivos e financeiros e permite a existência de uma identidade (gaba-se a escola do Barcelona por alguma razão, certo? Entre outros aspectos, existe harmonia dentro do grupo, espírito de comunhão, o exacerbar do colectivo em detrimento do individual, a defesa de uma proveniência, de uma maternidade que se respeita e faz respeitar com orgulho), que é o fio condutor para que os jogadores passem e fique a mística. E o Sporting, numa altura em que não se ganha, precisa ainda mais que se mantenha a mística (se é que alguma ainda resta) porque expressão do orgulho de envergar a camisola do Leão, porque afirmadora de uma grandeza histórica que todos os Sportinguistas desejam ver confirmada, aumentada, comprovada em todos os campos onde jogue o Sporting Clube de Portugal. Sem medos, tibiezas ou vergonhas.

E que fazer para tal acontecer?

A solução, em minha opinião, deverá passar por incrementar, reforçar o aproveitamento da Formação, vocacionada claramente para a competição, numa perspectiva do benefício do colectivo e não de alimentar o umbigo de cada jovem e contratar maioritariamente jogadores (no mercado nacional ou internacional) que sejam de facto mais-valias, de preferência experientes (não obstante poderem ainda ter margem de progressão ao nível do mercado) que permitam sustentar a evolução pessoal  (pelo exemplo enquanto Homens) e profissional  (pela via dos resultados obtidos) dos jovens jogadores. Tal não obstaria à existência de um espaço de excepção que permita integrar alguma jovem promessa com talento declaradamente acima da média, proveniente de mercados competitivos (independentemente de serem asiáticos, africanos, americanos, sul-americanos ou, obviamente, europeus) cujas selecções tenham presumível presença regular nas grandes competições internacionais, nomeadamente nos campeonatos do Mundo.  

Luís Rasquete 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

IZMAILOV OU UM CASO DE GESTÃO

Izmailov é um dos 3 melhores jogadores do Sporting, em potencial e em valor de mercado, parece-me indubitável.
A forma como está a ser gerida a sua situação pelo Sporting revela pelo menos duas das causas do Clube ter chegado onde chegou: falta de liderança e de capacidade de gestão. Explico:

Factos:
  • Pouco depois da chegada do ex-director para o futebol, Costinha, este envolveu-se num conflito com Izmailov cujas causas radicam em questões de empresários (Jorge Mendes vs Paulo Barbosa, que se estendeu a outros jogadores do plantel como Caneira);
  • Izmailov recusou jogar na jogo da 2ª mão dos oitavos de final da Liga Europa, contra o Atlético de Madrid;
  • Izmailov mentiu ao clube afirmando que se encontrava em Lisboa quando de facto voou para Moscovo;
  • O Sporting aplicou uma sanção ao jogador que este contestou judicialmente com o apoio do Sindicato dos Jogadores;
  • O referido processo judicial foi arquivado por ter sido alcançado acordo entre o Clube e o jogador, tendo este desistido da acção;
  • O jogador tratou a lesão da qual padecia à revelia do Clube, vide afirmações do então treinador Paulo Sérgio e do médico do clube, Gomes Pereira, afirmando desconhecer o paradeiro do jogador bem como a forma como recuperava da lesão;
  • O regresso de Izmailov a Alvalade é contemporâneo com a saída de Costinha, encontrando-se o jogador na fase final de recuperação da lesão e integração no grupo de trabalho;
  • A 26/04 a Sporting SAD comunica à CMVM a renovação do contrato de Izmailov até 2015 com aumento do valor da cláusula de rescisão de 25 M€ para 30 M€, nada se referindo relativamente às condições contratuais do jogador;

Análise:
1.   O valor do jogador nunca esteve ou estará em causa mas o precedente aberto em termos disciplinares com a gravidade que reveste este caso não permitirá a existência de uma relação salutar entre o jogador e a entidade patronal;
2.   Tal servirá de exemplo também para os restantes jogadores do plantel;
3.   Com a agravante que o jogador viu o contrato renovado e a cláusula de rescisão contratual aumentada. Não teve melhoria salarial? Fica a questão.
4.   O foco da questão é este: há lastro anímico (endógeno, de cada um dos jogadores) e relacional (entre grupos que se foram formando no plantel) que deriva das experiências traumatizantes que todos têm tido e quando essas experiências alcançam uma determinada amplitude, uma determinada gravidade como agora se verificou pelos factos acima descritos, atinge-se um ponto de não retorno;
5.   O que resta? A difícil tarefa de quem lidera assumir que se deve inverter o rumo, dar o exemplo e não permitir que, independentemente das responsabilidades concretas, o Sporting se faz respeitar relativamente a todos, funcionários ou interlocutores externos, com todos os custos que tal envolva porque no futuro (aqui entra a gestão) tal trará inevitavelmente proveitos, quanto mais não seja no amor próprio, na dignidade, no respeito interno e para o exterior, na manutenção de um registo disciplinar interno que se quer integralmente cumprido sob pena de se ser complacente com manifestações de má formação e educação como as vistas no jogo com o Portimonense que só prejudicam uma entidade: o Sporting Clube de Portugal;
6.   E Izmailov? Haveria que encontrar uma solução pacifica para ambas as partes, com dignidade, com o respeito possível atenta a conjuntura envolvente e tratar de transferir o jogador para um clube sempre no exterior, com as mais valias possíveis e reinvestir esse valor noutra solução desportiva acautelando que quando se contrata um jogador se contrata também o Homem, o seu empresário, etc;
7.   O Sporting precisa mudar de página, de uma renovação de fundo, exactamente na mesma lógica da renovação de ciclo quando uma equipa portuguesa consegue o milagre (lá está) de ganhar uma prova europeia. É que neste caso, pela positiva, os jogadores ganham grande visibilidade, há a possibilidade de fazer excelentes contratos e o clube português que, recordo, está (sendo optimista) no meio da "cadeia alimentar" em termos de competitividade financeira no ranking europeu, pode alavancar meios para renovar a equipa sem ficar com insatisfeitos ou aziados; 
8.   No caso do Sporting, manifestamente até pela saturação da massa associativa, a azia está do lado de cá das bancadas e a manutenção da maioria dos jogadores, independentemente do valor deles, é um erro estratégico porque se vai andar a tentar construir sobre algo que de raiz, reitero, não é salutar no sentido de estar despoluído do tal lastro anímico e relacional e das memórias negativas. Ao mínimo falhanço, lá vêm as memórias... 
9.     Há que ter coragem de fazer de novo e manter apenas aqueles que podem ajudar a construir o futuro integrando mesmo alguns deles os alicerces dessa estrutura, como o Patrício (até pela perspectiva da titularidade na selecção e um factor nuclear que o Sporting não devia perder e que o Porto e o Benfica já não têm: preservar a maioria dos jogadores portugueses de qualidade como factor identificativo com o País e os Jovens que procuram um Grande!);
10.  E nisto, a perspectiva não é apenas render mais, é sim render ao nível compativel com a história do Grande Sporting Clube de Portugal!  

Luis Rasquete