terça-feira, 21 de junho de 2011

STIJN SCHAARS E RICKY VAN WOLFSWINKEL VS RODRIGUEZ, CARRILLO E ARIAS

Stijn Schaars e Ricky Van Wolfswinkel vs Rodriguez, Carrillo e Arias

Factos: 
Nome: Stefanus Johannes "Stijn" Schaars;
Clube: AZ Alkmaar (Holanda);
Idade: 27 anos;
Altura: 1,77;
Peso 70 Kg;

Jogos em 2010/2011:

Liga Holandesa:
·        29 jogos;
·        29 vezes titular e 28 totalista;
·        1 vez substituído;
·        1 golos/ 6 assistências;

Liga Europa (incluindo fase de qualificação):
·        8 jogos;
·        8 vezes titular e totalista;

Internacional "A" holandês por 15 vezes.

Na sequência do já referido relativamente a Ricky van Wolfwinkel, radicando a formação deste jogador na Holanda, estamos perante um selo inequívoco de qualidade. 

Valor de mercado: +/- 5 milhões €;
  
Análise:
  
Previamente a qualquer consideração acerca do valor do jogador importa salientar o seguinte:

  • Uma vez mais a contratação não foi noticiada/fotonovelada antes de concretizada;
  • Adquiriu-se a totalidade do passe do jogador;
  • Trata-se do 2º jogador europeu contratado pela Direcção de Godinho Lopes.

Para quem não saiba, pelo pedigree, trata-se de um dos 5 melhores jogadores a pisar palcos portugueses em 2011-2012 mas, mais que isso, se não for afectado por lesões, Stijn Schaars demonstrará claramente o que é um verdadeiro jogador de alta competição, pela regularidade e elevado rendimento.

Mas Stijn Schaars representa ainda mais, pela postura fora de campo, pelo exemplo que é em termos de profissionalismo e de devoção à camisola que enverga. Será também um exemplo para os jovens da Formação dentro e fora do relvado, tal qual foi Stan Valckx quando chegou a Portugal  pela mão do saudoso Bobby Robson, na altura com 30 anos e apelidado de "ex-internacional holandês suplente no PSV". Carácter, liderança, espírito de sacrifico, competência, competitividade e capacidade de enfrentar os desafios com um sorriso nos lábios, o sorriso de quem acredita no trabalho diário, confia que é honesto todos os dias, todos os treinos, para com o clube que lhe paga, para com a equipa técnica, para com os colegas, para consigo próprio.

Com um plantel formado de jogadores à imagem de Stijn Schaars o Sporting seria o candidato n.º 1 a vencer o campeonato, todos terão oportunidade de perceber porquê.

Enquanto jogador é um box-to-box esquerdino que também pode ser médio defensivo. Inteligente, evita o drible ou o adorno fúteis e prefere o passe seguro e rápido e movimentação constante, com grande pulmão e excelente capacidade de choque. Tem uma leitura de jogo impar e por isso durante o jogo consegue liderar e encontrar soluções para a equipas. Tem um pontapé forte e é um exímio batedor de bolas paradas. A todos os que vão ter o prazer de o ver jogar, só me resta assegurar que fará jus ao preço de cada bilhete pago.

Conforme referi nos pontos prévios Schaars, à semelhança de Wolfswinger, chegou a Portugal no mais completo anonimato. Ora, tomando como pressuposto lógico que a actuação dos dirigentes do Sporting se mantém uniforme no que há preservação do sigilo negocial diz respeito, questiono o porquê dos negócios feitos com jogadores oriundos da América do Sul serem amplamente noticiados e conhecidos do público ainda antes da chegada dos atletas ou da formalização dos negócios? Os casos de Rodriguez, Carrillo, do futuro ex-jogador do Sporting Moreno, de Arias (que hoje aterrou em Lisboa), e de Rinaudo (a confirmar), são demonstração evidente que as opções a tomar no sentido de salvaguardar uma postura negocial sigilosa, sem fugas de informação ou dissuasoras da inflação de última hora do valor de passes ou vencimentos dos atletas pretendidos nos conduz indubitavelmente a inverter este ciclo de contratações com os mercados sul-americanos, em benefício do mercado europeu e de outros nos quais o sigilo e a confidencialidade não sejam palavras vãs.

Não obstante esta evidência o Sporting prepara-se para anunciar a contratação de :

Nome: Santiago Arias;
Clube: sem clube após rescisão com o La Equidad (Colômbia);
Idade: 19 anos;
Altura: 1,76;
Peso 68 Kg;

Jogos em 2010/2011:
·        6 jogos;
·        4 vezes titular e 3 totalista;
·        1 vez substituído, 2 vezes suplente utilizado;

Internacional sub-20 colombiano, com perspectiva de ser titular no próximo Mundial sub-20 que se realizará precisamente na Colômbia.
  
Valor de mercado: +/- 500 mil €;

O futebol colombiano, estando competitivamente atrás do Brasil, Argentina e Uruguai, não deixa de ser dos mais assíduos (logo a seguir aos ora referidos)  em presenças nos campeonatos do Mundo de selecções.

Não obstante, trata-se de um país que nunca produziu grandes talentos em termos de rendimento na Europa, sendo os expoentes máximos Faustino Asprilla e Carlos Valderrama. Em ambos os casos falamos de jogadores de rendimento intermitente, com variadíssimos problemas ao nível pessoal, desde logo face à diferença de culturas entre o país de origem e os países onde jogaram (ainda que aqui se incluam países latinos como Itália e Espanha).

Mas há casos de sucesso entre futebolistas colombianos na Europa, sendo disso exemplo Guarin, Falcão e James Rodriguez. Mas todos com uma característica comum: saíram da Colômbia para a Argentina ainda juniores, ou mesmo antes, isto é, em claro processo de formação. Ainda assim, Guarin, depois de passar da Argentina (Boca Juniors)  para França (onde não se impôs no Saint-Étienne) apenas na 2ª temporada no FC Porto começou a apresentar um rendimento justificativo do investimento feito (que foi, por sinal, baixo: cerca de 1 M €).

Ora, Santiago Arias só agora se prepara para sair da Colômbia e viver a 1ª aventura europeia, com todas as cambiantes de adaptação que tal implica em termos de rendimento, para lá do facto de ser um jovem com 19 anos. E o Sporting não propicia a estabilidade de crescimento competitivo a um jovem que propicia, por exemplo, o Porto porque não há uma estrutura base constituída que integre e permita potenciar jovens, sejam da formação, sejam contratados.

Acresce que vem para uma posição onde o Sporting já dispõe de soluções seja como lateral direito ( João Pereira e, até ver, João Gonçalves), seja como médio defensivo (até ver Pedro Mendes, Zapater, André Santos, Rinaudo(???), Maniche). Mas, sobretudo, traz uma mensagem clara para Cedric e outros jogadores da formação: o Sporting tem internacionais nas camadas jovens nestas posições (Cedric vai ao Mundial sub-20) e ainda assim recorre a um mercado internacional secundário para lhes fazer concorrência. Tal já foi observado na contratação de Castillo. Esta postura contraria claramente a pretensa propensão ao aproveitamento da Formação, a rentabilização do trabalho feito na Academia com a agravante de diminuir os índices de competitividade dos jogadores formados em Alvalade porque não têm que concorrer com "produtos" de escolas mais evoluídas, antes pelo contrário.

Santiago Arias é, pelo que vi, um jogador regular, não muito forte a defender pois sobe muitas vezes no flanco e não é célere a recuperar, não é muito rápido e apesar de ter boa propensão ofensiva nunca se constituiu, no recente torneio de Toulon (que a Colômbia venceu) como uma opção privilegiada de saída para o ataque para os seus companheiros. Não tem um jogo aéreo forte devido à estatura média (1,76). Trata-se, em suma, de um jogador que dificilmente se constituirá como uma mais-valia para a época 2011-2012, falando-se inclusive na possibilidade do seu empréstimo. É um negócio de oportunidade porque, alegadamente, vem a custo "0". Aguarde-se o comunicado à CMVM. Mas não deixa, para já, de expressar o reviver de um certo período recente do Sporting sob a égide de Carlos Freitas: um clube que se aproveitou das dificuldades económicas de outros para resgatar jogadores em conflito a baixo (??) custo, vide casos de Rogério, Liedson e Tinga. A fama que o Sporting granjeou na altura no Brasil não enobreceu o nome do Clube por aquelas paragens. E os resultados, com excepção de Liedson, não foram significativos. Na Colômbia, a história repete-se com dirigentes e treinador do La Equidad a criticarem directamente os representantes do jogador e indirectamente o Sporting por se ter "aproveitado" da situação. Mesmo que se tratasse de um predestinado, os fins não justificam os meios, a meu ver. E, como se vê nos exemplos holandeses, é tão fácil ser competente e fazer-se respeitar.

Luís Rasquete   

 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

RICKY VAN WOFLSWINKEL, A MUDANÇA DO RUMO?

Factos:

Nome: Ricky Van Woflswinkel;
Clube: FC Utrecht (Holanda);
Idade: 22 anos;
Altura: 1,85;
Peso 69Kg;

Jogos em 2010/2011:

Liga Holandesa:
·        29 jogos;
·        26 vezes titular e 19 totalista;
·        7 vezes substituído e 3 vezes suplente utilizado;
·        15 golos/ 3 assistências;

Liga Europa (incluindo fase de qualificação):
·        12 jogos;
·        12 vezes titular e 9 totalista;
·        3 vezes substituído;
·        8 golos/0 assistências.

Internacional "A" holandês, tendo feito também todas as categorias de formação nas selecções, com 7 golos em 19 jogos, a partir dos sub-19.
  
A Holanda é indubitavelmente uma das mais fortes escolas de formação táctica da Europa (a escola do Ajax é indirectamente "mãe" do modelo de jogo do Barcelona), com jogadores de grande expressão mundial espalhados pelas melhores equipas da Europa. É a 1ª linha da Europa em termos de formação. As selecções da Holanda são, em todos os escalões, garantia de qualidade, competitividade e espectáculo.

Valor de mercado: +/- 3,5 milhões €;

Comunicado à CMVM:  

Análise:
  
Previamente a qualquer consideração acerca do valor do jogador importa salientar o seguinte:

·  A contratação não foi noticiada/fotonovelada antes de   concretizada;
·  Adquiriu-se a totalidade do passe do jogador;
·  Trata-se do 1º jogador europeu contratado pela Direcção de Godinho Lopes.

Ricky Van Wolfswinkel afirmou, na apresentação, ser uma honra representar um grande clube como o Sporting, estar orgulhoso pelo interesse do Sporting e desejar ganhar títulos em Alvalade.
  
Atenção, estamos a falar de um jogador que é recém-internacional "A" holandês e que vê no Sporting uma porta para ascender na carreira, para progredir em termos de competências competitivas, para enriquecer o palmarés pessoal.

Este facto não se pode dissociar da vinda de Marco Van Basten a Portugal no recente período eleitoral do clube e o bom impacto que tal vinda teve no meio futebolístico holandês. Afinal, Portugal pode ser uma saída profissional interessante para profissionais holandeses, ambiciosos e com curriculum.

Passando à descrição do jogador, refira-se que não vale, para já, os 5,4 M€ pagos 100% pelo passe mas, ao contrário de Carrillo, concordo com o valor pago dado que: 

1. É europeu, está familiarizado com o futebol, o clima, o ritmo de jogo e o modelo competitivo;
2. Vem da 1ª linha do futebol de formação europeu, com rótulo de qualidade em termos tácticos, desde logo porque fez todos os escalões de formação nas selecções, tem pedigree, está às portas de uma selecção que joga habitualmente as grandes competições;
3. Não vai sentir significativamente a diferença de ritmo entre a Liga Holandesa e a Liga Portuguesa, jogando já há mais de 4 anos ao mais alto nível no seu país, com mais de 90 jogos disputados e 30 golos marcados, numa média de 1 golo a cada 3 jogos mas com o acréscimo de ter marcado metade dos golos na última época, isto é, em cerca de 30 jogos marcou 15 golos, o que indicia progressão competitiva clara, baixando o ratio para 1 golo em cada 2 jogos;
4. Perante estes números, pode dizer-se que sendo os 5,4 M€ um valor avultado (pode-se mesmo dizer que por esse valor se poderia atacar outros nomes mais conhecidos, mas isso é outra conversa...) eles indiciam uma política de investimento num valor emergente de um mercado sólido  (conhecido pela maioria dos clubes do topo da cadeia alimentar da Europa)  o qual, sendo rentabilizado (isto é, marcando cerca de 20 golos numa época em Portugal) terá um retorno garantido em termos de mercado, senão nos 22 M€ da cláusula de rescisão, pelo menos num valor que compense, sem grande esforço, o investimento feito (massa salarial incluída a qual sendo não poucas vezes subestimada acaba por representar a maior fatia do encargo de uma contratação);
5. Deste ponto de vista concordo totalmente com a contratação do atleta porque alia mais valia em termos competitivos (pela origem), porque não vai certamente exorbitar o tecto salarial previsto (é jovem, está a emergir) e também porque vem fortalecer uma posição na qual o plantel apresenta claras carências, o que em meu entender não invalida a necessária contratação de um jogador mais experiente porque não se pode fazer recair sobre as costas de um jovem de 22 anos na primeira aventura fora do seu país a responsabilidade de comandar, sem oscilações de ritmo, o ataque de um clube que pretende lutar por títulos como a Liga Portuguesa;
6. Não se pode deixar de observar que valores como Baldé deverão continuar a merecer acompanhamento, se possível no mercado nacional e que a contratação do avançado holandês significa presumivelmente o fim da linha para Saleiro no plantel, a que titulo (definitivo ou por empréstimo) em breve se saberá. Mas Saleiro não se poderá queixar de falta de oportunidades e se vingar noutras paragens tal deverá ser sempre motivo de regozijo para a Formação do Sporting, quem sabe até perspectivando um eventual regresso;
7. Mas o que representa a contratação de Ricky Van Wolfswinkel? Representa a necessidade de jogar com extremos, indubitavelmente! O avançado holandês movimenta-se sobretudo dentro da área, jogando a poucos toques, finalizando com ambos os pés, não tendo um rendimento tão elevado no jogo aéreo (o que deverá ser trabalhado) ao que se junta fraca capacidade de choque. Este afigura-se como o grande calcanhar de Aquiles do jovem holandês porque 70 kgs para um corpo com 1,85 m é manifestamente insuficiente para um futebol que se faz em campos difíceis no Inverno (ainda que curto mas é no período de fins de Outubro a Março que se decide o campeonato) e com defesas duros. A mobilidade e poder de antecipação são pontos fortes mas insuficientes para a constância que se pretende quando a equipa tiver que encostar, desgastar fisicamente as equipas adversárias, em suma, ganhar também o jogo no confronto físico, voltando-se aqui à questão da baixa estatura e peso do plantel do Sporting;
8. A forma de jogar leve, a fugir ao choque (a fazer lembrar jogadores como Domingos Paciência, Paulinho Cascavel ou Rui Águas), não me enche as medidas, confesso, mas tal não inibe o mérito da opção por este tipo de jogador pelo que acima escrevi, desde que se lhe dê condições para vingar;
9. Sendo mais objectivo, se houver coerência na construção do plantel tendo por base um sistema de jogo mais europeizado que privilegie as características dos jogadores contratados e sendo estes igualmente europeus ou de matriz futebolística mais adaptada ao futebol europeu, a margem de erro diminui e aumenta a possibilidade de obter sucesso, ganhar competições, rentabilizar activos, atrair investidores para fundos, etc.;
10. Neste contexto, os próximos capítulos em termos de contratações virão ou não confirmar esta mudança de rumo, no sentido de europeizar o futebol do Sporting, dar-lhe outra cultura táctica, competitiva, construir condições para o sucesso desportivo com base num projecto e não em tiros no escuro, oportunisticos, dependentes de outros interesses que não forçosamente os do Sporting;
11. Para já, Ricky Van Wolfswinger, pelo pedigree, pela origem, é uma brisa de esperança.

Luís Rasquete
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A FINAL DA LIGA EUROPA E O SPORTING

A propósito da final de ontem, falhei o prognóstico porque pensei q o Porto ia dar uma "tareia" no Braga. Não deu por uma razão simples que o José Peseiro focou no comentário que fez para a Sporttv: não soube conservar e cimentar o ascendente emocional que tinha no inicio do jogo por opção do André Villas Boas na gestão emocional do jogo. Preferiu ser conservador e esperar o erro do Braga que aconteceu por mais de uma vez, normalmente com o Rodriguez no centro dos acontecimentos, a ser dominador, empolgar a plateia e, correndo mais riscos, oferecer outro espectáculo que está ao alcance deste Porto e para o qual este Braga não teria claramente soluções. A opção foi a primeira e o momento do golo em que o Braga está a sair com a bola controlada, sem pressão e o Rodriguez faz um passe que apanha a equipa em contrapé é um erro de palmatória inadmissível a este nível. Pessoalmente nunca o achei jogador para um grande  e ontem ficou à evidência a razão pela qual o Porto não o contrata (é baixo para central, tem demasiadas saídas da equipa, normalmente por lesão, não é extraordinariamente rápido e a saída com a bola nos pés, especialmente se a jogar do lado esquerdo, é bastante má. Resta a boa leitura de jogo e timing de intercepção o que não chega para jogar no Sporting)! E o facto de vir de uma lesão não é atenuante, antes pelo contrário pois se não se sentisse confiante, deveria ter-se resguardado nestes momentos de saída, dando assim demonstração de maturidade competitiva, de liderança perante os colegas. Não o fez por mais de uma vez e o resultado foi a decisão do jogo a favor do Porto.

Mas o que mais releva desta final é um "pormenor" curioso relativo aos portugueses que jogaram:

Porto: Rolando, Moutinho, Varela;

Braga: Miguel Garcia, Sílvio, Custódio, Hugo Viana;

Estamos a falar de 7 jogadores, dos quais 5 foram feitos em Alvalade (sendo que o Custódio apenas fez em Alvalade a fase final da sua formação, proveniente do Vitória de Guimarães, já com 19 anos). E não estou  a contar com o Beto que estava no banco do Porto.

Ora, independentemente de podermos considerar que alguns deles não terão valor para o "11" duma equipa que deseja ser campeã, parece-me indiscutível que todos terão valor para integrar o plantel de qualquer candidato ao título em Portugal e, mais que isso, são a prova clara que a aposta na formação é viável, profícua em termos de produção de resultados desportivos e financeiros e permite a existência de uma identidade (gaba-se a escola do Barcelona por alguma razão, certo? Entre outros aspectos, existe harmonia dentro do grupo, espírito de comunhão, o exacerbar do colectivo em detrimento do individual, a defesa de uma proveniência, de uma maternidade que se respeita e faz respeitar com orgulho), que é o fio condutor para que os jogadores passem e fique a mística. E o Sporting, numa altura em que não se ganha, precisa ainda mais que se mantenha a mística (se é que alguma ainda resta) porque expressão do orgulho de envergar a camisola do Leão, porque afirmadora de uma grandeza histórica que todos os Sportinguistas desejam ver confirmada, aumentada, comprovada em todos os campos onde jogue o Sporting Clube de Portugal. Sem medos, tibiezas ou vergonhas.

E que fazer para tal acontecer?

A solução, em minha opinião, deverá passar por incrementar, reforçar o aproveitamento da Formação, vocacionada claramente para a competição, numa perspectiva do benefício do colectivo e não de alimentar o umbigo de cada jovem e contratar maioritariamente jogadores (no mercado nacional ou internacional) que sejam de facto mais-valias, de preferência experientes (não obstante poderem ainda ter margem de progressão ao nível do mercado) que permitam sustentar a evolução pessoal  (pelo exemplo enquanto Homens) e profissional  (pela via dos resultados obtidos) dos jovens jogadores. Tal não obstaria à existência de um espaço de excepção que permita integrar alguma jovem promessa com talento declaradamente acima da média, proveniente de mercados competitivos (independentemente de serem asiáticos, africanos, americanos, sul-americanos ou, obviamente, europeus) cujas selecções tenham presumível presença regular nas grandes competições internacionais, nomeadamente nos campeonatos do Mundo.  

Luís Rasquete 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

IZMAILOV OU UM CASO DE GESTÃO

Izmailov é um dos 3 melhores jogadores do Sporting, em potencial e em valor de mercado, parece-me indubitável.
A forma como está a ser gerida a sua situação pelo Sporting revela pelo menos duas das causas do Clube ter chegado onde chegou: falta de liderança e de capacidade de gestão. Explico:

Factos:
  • Pouco depois da chegada do ex-director para o futebol, Costinha, este envolveu-se num conflito com Izmailov cujas causas radicam em questões de empresários (Jorge Mendes vs Paulo Barbosa, que se estendeu a outros jogadores do plantel como Caneira);
  • Izmailov recusou jogar na jogo da 2ª mão dos oitavos de final da Liga Europa, contra o Atlético de Madrid;
  • Izmailov mentiu ao clube afirmando que se encontrava em Lisboa quando de facto voou para Moscovo;
  • O Sporting aplicou uma sanção ao jogador que este contestou judicialmente com o apoio do Sindicato dos Jogadores;
  • O referido processo judicial foi arquivado por ter sido alcançado acordo entre o Clube e o jogador, tendo este desistido da acção;
  • O jogador tratou a lesão da qual padecia à revelia do Clube, vide afirmações do então treinador Paulo Sérgio e do médico do clube, Gomes Pereira, afirmando desconhecer o paradeiro do jogador bem como a forma como recuperava da lesão;
  • O regresso de Izmailov a Alvalade é contemporâneo com a saída de Costinha, encontrando-se o jogador na fase final de recuperação da lesão e integração no grupo de trabalho;
  • A 26/04 a Sporting SAD comunica à CMVM a renovação do contrato de Izmailov até 2015 com aumento do valor da cláusula de rescisão de 25 M€ para 30 M€, nada se referindo relativamente às condições contratuais do jogador;

Análise:
1.   O valor do jogador nunca esteve ou estará em causa mas o precedente aberto em termos disciplinares com a gravidade que reveste este caso não permitirá a existência de uma relação salutar entre o jogador e a entidade patronal;
2.   Tal servirá de exemplo também para os restantes jogadores do plantel;
3.   Com a agravante que o jogador viu o contrato renovado e a cláusula de rescisão contratual aumentada. Não teve melhoria salarial? Fica a questão.
4.   O foco da questão é este: há lastro anímico (endógeno, de cada um dos jogadores) e relacional (entre grupos que se foram formando no plantel) que deriva das experiências traumatizantes que todos têm tido e quando essas experiências alcançam uma determinada amplitude, uma determinada gravidade como agora se verificou pelos factos acima descritos, atinge-se um ponto de não retorno;
5.   O que resta? A difícil tarefa de quem lidera assumir que se deve inverter o rumo, dar o exemplo e não permitir que, independentemente das responsabilidades concretas, o Sporting se faz respeitar relativamente a todos, funcionários ou interlocutores externos, com todos os custos que tal envolva porque no futuro (aqui entra a gestão) tal trará inevitavelmente proveitos, quanto mais não seja no amor próprio, na dignidade, no respeito interno e para o exterior, na manutenção de um registo disciplinar interno que se quer integralmente cumprido sob pena de se ser complacente com manifestações de má formação e educação como as vistas no jogo com o Portimonense que só prejudicam uma entidade: o Sporting Clube de Portugal;
6.   E Izmailov? Haveria que encontrar uma solução pacifica para ambas as partes, com dignidade, com o respeito possível atenta a conjuntura envolvente e tratar de transferir o jogador para um clube sempre no exterior, com as mais valias possíveis e reinvestir esse valor noutra solução desportiva acautelando que quando se contrata um jogador se contrata também o Homem, o seu empresário, etc;
7.   O Sporting precisa mudar de página, de uma renovação de fundo, exactamente na mesma lógica da renovação de ciclo quando uma equipa portuguesa consegue o milagre (lá está) de ganhar uma prova europeia. É que neste caso, pela positiva, os jogadores ganham grande visibilidade, há a possibilidade de fazer excelentes contratos e o clube português que, recordo, está (sendo optimista) no meio da "cadeia alimentar" em termos de competitividade financeira no ranking europeu, pode alavancar meios para renovar a equipa sem ficar com insatisfeitos ou aziados; 
8.   No caso do Sporting, manifestamente até pela saturação da massa associativa, a azia está do lado de cá das bancadas e a manutenção da maioria dos jogadores, independentemente do valor deles, é um erro estratégico porque se vai andar a tentar construir sobre algo que de raiz, reitero, não é salutar no sentido de estar despoluído do tal lastro anímico e relacional e das memórias negativas. Ao mínimo falhanço, lá vêm as memórias... 
9.     Há que ter coragem de fazer de novo e manter apenas aqueles que podem ajudar a construir o futuro integrando mesmo alguns deles os alicerces dessa estrutura, como o Patrício (até pela perspectiva da titularidade na selecção e um factor nuclear que o Sporting não devia perder e que o Porto e o Benfica já não têm: preservar a maioria dos jogadores portugueses de qualidade como factor identificativo com o País e os Jovens que procuram um Grande!);
10.  E nisto, a perspectiva não é apenas render mais, é sim render ao nível compativel com a história do Grande Sporting Clube de Portugal!  

Luis Rasquete

terça-feira, 3 de maio de 2011

A CONTRATAÇÃO DE ANDRÉ CARRILLO

Factos:

Nome: André Carrillo;
Clube: Alianza Lima (Perú);
Idade: 20 anos;
Altura: 1,80;
Peso 69Kg;

Jogos na 1ª Liga:
5 jogos/ 6 jogos do campeonato
3 vezes titular e 2 totalista;
1 vez substituido e 2 vezes suplente utilizado;
3 golos/ 1 assistência;

Valor de mercado: +/- 500 mil €;

Perú tem escassas participações em campeonatos do Mundo;
Clubes peruanos não têm expressão a nivel de conquistas de competições sul-americanas;

Análise:

Trata-se de um jogador que não vale o 1 M€ por 85% do passe que o Sporting se apresta para pagar a menos que haja dinheiro significativo em caixa para fortalecer o plantel (nunca menos de 40M€) e explico sucintamente porquê:
 
1.   Vem de uma liga menor na América do Sul, pelo que nem sequer tem o ritmo competitivo das maiores ligas dali (Brasil, Argentina, Uruguai). Conclusão: requer tempo de adaptação ao futebol europeu como todos os outros mas sobretudo de um upgrade significativo pois a discrepância entre o futebol europeu, no caso o português, e a Liga do Perú é significativa;
2.   Parece-me ter algum potencial, pois possui jogo aéreo, pé direito mais forte, pareceu-me rápido, robusto, movimenta-se bem na área mas é claramente um 2º avançado que não gosta de jogar nas alas (segundo afirmação do próprio). Não é lider, mas com esta idade e em fase de integração no futebol mais competitivo da Liga do Perú é natural que assim seja. Não é titular absoluto. Pelo que descrevi,  se no Perú não se destaca desde já claramente, sentirá maiores dificuldades quando chegar ao futebol europeu;
3.   Relativamente ao investimento de 1 M€  por 85% do passe, está inflaccionado alegadamente pelo interesse do Groningem e da Atalanta, mas reveste claramente o tipo de negócio made in Duque/Freitas, se olharmos para o histórico destes dois dirigentes; 
4.   Sobretudo, em termos de lógica de politica de mercado o que questiono é o que se pretende com a contratação de um jovem que precisa claramente de uma estrutura forte de enquadramento que o proteja, que lhe permita crescer sem pressão ou cobrança. Ora, o Sporting não tem essa estrutura ao nível de equipa e a contratação de um jogador deste tipo passa uma mensagem clara para os miúdos da formação: rouba-lhes espaço na 1ª equipa e eles provavelmente terão mais qualidade e de certeza mais ritmo competitivo que o André Carrilho porque não se trata de um predestinado, não obstante o potencial que poderá ter (o que não considero claro pois há jogadores dentro da idade dele (20/21 anos) que já estão na selecção "A");
5.   Finalmente, vamos colocar aqui um exemplo em termos de mercado: Será um bom investimento para um Fundo ou para ser rentabilizado? A resposta é clara e simples: Não! Este jogador pertencerá sempre a uma selecção que está fora dos grandes palcos competitivos a nivel mundial e é, sobretudo ao nivel do pedigree, uma selecção de pouca ambição. Tal repercute-se na forma de pensar do jogador que terá sempre horizontes limitados por não estar habituado a momentos como finais ou sequer perspectiva delas e consequentemente, no momento de pressão em que o clube precise dele para "fazer a diferença" o provavel é que não expresse o seu valor, precisamente pela falta de hábito dos grandes momentos. Ao nível do desempenho no clube, perspectivando de forma optimista que o Sporting aumentará os indices competitivos, ele dependerá sempre da experiência de outros ao nivel de grandes palcos para o integrarem e não o inverso e o seu valor dependerá sempre da visibilidade que o clube lhe der e não da que ele obtiver por si (nomeadamente na selecção).  Ora, a este nível um jogador que só se valoriza no clube e não na selecção, tem sempre alguma limitação em termos de valor final para os clubes das ligas maiores. Acresce finalmente que, sendo peruano, tem fracos exemplos de vencedores na Europa sendo o mais conhecido o Pizarro que fracassou quando passou para a liga inglesa (Chelsea) por falta de pedigree e se aguenta no mercado alemão apesar da fraca carreira do Werder Bremen esta época. Outros exemplos são o Guerrero (Hamburgo), Farfan (Shalke) que é o melhor jogador peruano da actualidade mas irregular nas performances e o Vargas (Fiorentina) sendo este talvez o mais competitivo dos jogadores peruanos. Em Portugal temos o Rodriguez e veremos o que ele faz numa equipa mais forte que o Braga, presumivelmente em Alvalade porque o Porto não o quer (eles saberão porquê...). Em suma, nenhum jogador peruano actua na 1ª linha das equipas da Europa e mesmo o Shalke, que se encontra fugazmente na meia-final da Champions, não é campeão alemão há vários anos.

Luis Rasquete

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A REVISÃO DOS ESTATUTOS

Na passada semana, o ex-candidato Bruno de Carvalho anunciou que desistia da acção de impugnação das eleições ocorridas no passado dia 26 de Março, ficando, assim, os resultados das mesmas consolidados na ordem jurídica.

Uma das prioridades dos novos órgãos sociais, até pelo que sucedeu na noite eleitoral, é a revisão dos estatutos, estando agendado para amanhã o primeiro Conselho Leonino.

Devemos ter presente que as eleições terminaram, a lógica das listas candidatas também deve ser ultrapassada para que os órgãos sociais, em conjunto com todos os sócios e organizações que constituem a família leonina possam realizar nesta matéria de revisão estatutária um trabalho sério e que sirva os interesses do Sporting Clube de Portugal para o futuro.

Aproveitando a recente comemoração do dia 25 de Abril, recordo a frase do Dr. José Roquette que um dia disse que o mesmo ainda não tinha chegado ao futebol português.

Eu acrescentaria que o 25 de Abril também ainda não chegou ao Sporting (nem a outros sectores da sociedade portuguesa, mas isso era outra crónica noutro fórum...).

Que uma bem sucedida revisão de estatutos permita que dois dos famosos 3 D’s do 25 de Abril – Democratizar e Desenvolver – cheguem também ao nosso clube.

Rui Morgado

sexta-feira, 25 de março de 2011

SPORTING SEMPRE!

Termina hoje esta campanha e foi um privilégio e um prazer ser candidato aos órgãos sociais do meu clube, deste grande clube, e participar activamente nesta candidatura.

Não queria deixar de saudar todos os restantes candidatos e apoiantes desta lista e, correndo o risco de me esquecer injustamente de alguém, salientar em primeiro lugar o Eng. Vieira Sampaio, espero que futuro Presidente do Conselho Fiscal, que foi quem me trouxe para aqui e apresentou o Bruno.

Em segundo lugar todos os membros do Movimento Sporting Sempre, do qual fui co-fundador, e que tanto fizeram por esta candidatura.

Uma palavra também para o Frederico Carmo, que foi um grande Director de campanha, numa luta desigual, por vezes sem regras, mas que soube ultrapassar as dificuldades, levar o barco a bom porto e fazer o melhor momento da campanha de todas as candidaturas: A apresentação de Van Basten!
Uma palavra ainda para todos os que me acompanharam nas visitas aos núcleos: Inácio, Daniel, João e Miguel Sampaio, Virgílio, Rui Vinhas da Silva, Horácio, João Trindade, Victor Ferreira, Carlos Vieira, Ricardo Aragão Pinto, Natário, Ricardo Pina Cabral, Luis Rasquete, João Fialho, Miguel Lopes, Luís Pereira, Vieira Sampaio, Paulino Coelho e o Miguel Morais.

Por fim, umas palavras para o Bruno: Antes de mais parabéns por ter possibilitado e conduzido esta candidatura. Qualquer que seja o resultado eleitoral já ganhou, já ganhámos todos, porque agitámos um Sporting amorfo e, nas palavras do Rui Vinhas da Silva, devolvemos o sonho, a esperança a todos os sportinguistas.

E isso foi feito com um programa, com ideias, com uma excelente equipa, um projecto para o futebol, uma solução financeira e o apoio e entusiasmo dos sócios por todo o país. Numa campanha pela positiva. Sem ofender, sem insultar, sem difamar ninguém, sem mentir, sem desonestidades intelectuais, nem manipulação grosseira de uma comunicação social que deixa muito a desejar.

Recordo, a este propósito a ida a Coimbra, ao mítico Café Brasil, e de ler alto uma frase em destaque da biografia de Nélson Mandela (será que é credível? …Mandela? África? Isso não é longe? Terei de mostrar a frase?...) que saiu nesse dia com o jornal e que era qq coisa como: “desde cedo aprendi a ganhar sem necessidade de desonrar o meu adversário”.

Mas foi adversários que tivemos? Não resisto a mais uma citação, desta vez de Churchill (terá credibilidade? Disse mesmo isto? Onde é que está o registo?...): uma vez no parlamento com um jovem deputado conservador, que apontou para a bancada trabalhista e lhe perguntou: ”então ali está o nosso inimigo?”, ao que Churchill respondeu “não, ali está o nosso adversário, o nosso inimigo está aqui do nosso lado”.

Foi de facto uma tristeza esta guerra entre irmãos sportinguistas (no meu caso, irmãos mesmo…), isto não é o Sporting como bem salientou o Prof. Daniel Sampaio.

Bruno, amanhã, caso vença como espero, não se esqueça que mais importante do que saber perder é saber ganhar, não lhe peço para perdoar nem esquecer enquanto pessoa, mas como Presidente desta nobre instituição peço, sim, para seguir em frente, afirmando-se como o Presidente de todos os Sportinguistas, porque o que se passou nesta campanha negra é uma brincadeira ao pé da batalha de dia 27 em diante, e se quiser mesmo mudar o Sporting e lutar de igual para igual com os nossos adversários não se pode perder em guerras internas e ajustes de contas.

A todos, cordiais Saudações leoninas

VIVA O SPORTING!

Rui Morgado